Reunião que aprovou cotas raciais na Faculdade de Direito da USP foi marcada por atos de protesto

 

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                                                                             O estudante Chery Clarens protestou pela igualdade de oportunidades. (Foto: Dady Simon)

 

Pela primeira vez, em 2018, 20% das vagas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para ingresso na Faculdade de Direito da USP serão reservadas para alunos pretos,  pardos e indígenas (PPIs) que  farão  o  Exame  Nacional  do  Ensino  Médio  (Enem).  A  deliberação  ocorreu  após  votação  da Congregação da Faculdade no dia 30 de março.

Trata-se de uma conquista significativa tendo em vista que apenas 12,8% dos negros entre 18 e 24 anos chegaram ao nível superior em 2015. Para o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, a mudança aponta que que o engajamento e energia do ativismo e do movimento negro tem sido importantíssimos  para  ajudar  a  sociedade  avançar    nessa  agenda.  "Acredito que  a  decisão  da Faculdade  de  Direito    vai  ajudar  a  USP  a  se  livrar  da  maldição    do  imobilismo  e  da  indiferença com  esse  tema,  podendo  ajudar  toda  a  universidade  a  se  transformar  num ambiente    mais democrático  e mais inclusivo", comentou José Vicente.  

Na ocasião, o aluno Chery Clarens, estudante do 4º semestre do curso de Direito da Faculdade Zumbi  dos  Palmares,  realizou  um  gesto  de  protesto.  "Herdeiro  de  uma  rica  história  de  luta  e resistência, sou haitiano, filho da terra que simboliza a liberdade. Mas o que  é ser livre? Como gozar  da  nossa  presumida  liberdade?  O  que  significa  ser  negro  no  contexto  social,  numa sociedade  livre  democrática  de  direitos?  As  comunidades  afro-descendentes  ainda  ficam  na penúria  econômica  e  de  oportunidades,  assim  como  a  população  indígena.  As  correntes  que utilizei  para  protestar  representam  a  força  do  capital  que  nos  emprisiona,  culturalmente, ideologicamente  e  politicamente",  argumenta.  O  jovem  ressaltou  ainda  que  a  aprovação  das cotas  é  uma  dívida  histórica  do  Estado  brasileiro  com  toda  a população  afrodescendente  que nunca deixou de buscar oportunidades, exercer sua cidadania, liberdade cultural e intelectual.  

A  possibilidade  de  usar  as  notas  do  Enem  para  ingresso  na  Universidade  de  São  Paulo  foi adotada  apenas  em  2015  e  cada  área  ainda  decide  a  adesão.  Desde  então,  na  Faculdade  de Direito, 20% das vagas eram reservadas apenas para alunos vindos de escola pública. Em 2018, além  da  conquista  de  20%  para  pretos,  pardos  e  indígenas  (92),  10%  (46)  seguem  reservadas para estudantes de escolas públicas aumentando para 30% o total de reservas pelo Sisu.

A  luta  histórica  do  movimento  negro  brasileiro  pelo  acesso  à  universidade  continua  sendo  um grande  desafio,  pois  a  decisão  ainda  deve  passar  pelo  Conselho  de Graduação  e  Conselho Universitário  da  USP  e  ainda  não é permanente,  já  que  a  distribuição  de  vagas  é  votada anualmente.

Por: Assessoria de Comunicação

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