A história e a geografia confirmam: a identidade brasileira é mista, com influências vindas de diversas partes do mundo formando uma só sociedade. Entretanto, esse conceito pode ser distante para alguns dos grupos devido à falta de inclusão vivida por séculos, principalmente quando falamos de educação e trabalho.

De acordo com o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, em um país de alta miscigenação como o Brasil, a falta de atuação de grupos tratados como minorias no cenário profissional é um meio de manter os desequilíbrios sociais. “Estamos diante de uma transformação cultural e política intensa e muitas das agendas as quais não eram debatidas anteriormente passaram a entrar em pauta. Essa é uma delas”, comenta.

Embora os debates acerca deste assunto tenham aumentado, a caminhada para garantir a equidade de oportunidades ainda é grande. Afinal, segundo uma pesquisa do Instituto Ethos, pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem mais da metade da população brasileira.

Infelizmente, as tristes estatísticas não se limitam ao contexto organizacional. Afinal, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), dos milhões de desempregados no país atualmente, quase 64% eram pretos ou pardos. Além disso, conforme dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH, a população afrodescendente tem cerca de 10 anos de atraso quando comparada à branca.

Robson conseguiu conquistar seu espaço como profissional e relata sobre os seus desafios por conta da etnia. “Nós temos um problema relacionado ao racismo velado e estrutural. Por isso, muitos não conseguem enxergar como um jovem negro possa ou consiga ocupar um cargo de liderança, tal como médico, advogado, engenheiro e etc.”. Para ele, esse é um problema grave, o qual deve ser combatido.

Portanto, é fundamental valorizar talentos por seus potenciais e promover a igualdade. Afinal, isso contribui para garantir não só uma sociedade mais justa, como também para equipes mais produtivas. Saiba mais sobre esse assunto!

Entrevista concedida ao repórter Vinícius Lima
com produção de Henrique Machado e imagens de Igor Castro